6.8.10

Iazul?

Parou de doer.
Finalmente, parou de doer.

No lugar daquela confusão toda, uma enxurrada de alegria, de riso, dos melhores sentimentos. E a fonte ainda não secou, e nem dá sinal de que um dia sucumbirá. Apenas se mostra mais real, palpável, crível. Eu prefiro assim: felicidade em doses homeopáticas; de gotinha em gotinha, igual quando a gente era criança.

'Devagar e sempre' é melhor do que tudo de uma vez. 

Mesmo assim, eu sinto medo. Aquele medinho que se instala dentro da gente nos melhores momentos da nossa vida e nos faz pensar em Vinícius de Moraes e o seu 'tristeza não tem fim, felicidade sim'.

Mas eu não posso me deixar levar por nada disso, não posso. Não quero nunca mais sentir que estou apenas adiando o momento de sentir A dor de novo, não quero uma felicidade meramente protelatória. A insegurança me consome, mas que graça teria se não fossem as incertezas? Repito isso como quem quer se convencer. E me convenço.

Eu quero que o amanhã seja como hoje, mas será? Será?

Aí eu me lembro de quando fiquei ensaiando o que eu queria te dizer, mas na hora saiu tudo no improviso. Que efeito será que causou? Fiquei me perguntando por dias. Até que você deu o primeiro passo.

E Vinícius errou: a minha teve fim. Que erre de novo.

Ah, essa confusão que é amar...

15.4.10

É tudo.

Se existir algum Deus, qualquer um, cuida bem dos meus amores*, por favor, Cara. Se não, trate de  Se inventar agora mesmo, nesse instante, e passe a olhar por cada um deles, com muita atenção e muito carinho. E proteja-os de tudo, tudo. Por favor, é sério. E muito obrigada, mesmo.

* Meu pai, minha mãe, minha irmã e meu irmão, o Flá, minha família inteirinha, e todos aqueles que me são importantes de verdade. (o Senhor vai saber quem são, já que é onisciente). 

2.4.10

"não é nada"

Eu sempre tento me abrir com as pessoas que gosto; sempre tento, mas infelizmente - invariavelmente - acabo estragando tudo: faço pouco dos meus próprios problemas, coloco risadinhas idiotas no meio da conversa, atenuo fatos, faço piada de mim mesma... É como se, pra mim, meus problemas nunca pudessem ser importantes para os outros, como se eles não fossem dignos de preocupar aqueles que estão ao meu lado... Ajo assim, eu acho, por não querer ocupar uma pessoa que sei que estaria disposta - e até gostaria - de se ocupar comigo.

29.3.10

O lado ruim.

Não precisar crescer, nem ter responsabilidades, horários, deveres...

Parece tentador, não?

Mas Peter Pan nunca mais viu a sua Wendy.

23.9.09

Um pacto com a felicidade.

Acho que todo mundo, quando era criança, ouviu aquela história: se o vento gelado soprar enquanto estiver fazendo uma careta, vai ficar assim pra sempre.

Eu acreditava nisso.

Mas mesmo assim, naquela época, quando eu tinha tardes quentes e compridas a disposição, sempre que o vento soprava forte e gélido - e isso não era incomum mesmo em Cuiabá, já que eu morava no 11º andar - a careta vinha. Involuntariamente. Os cachinhos atrapalhavam a visão e a minha primeira reação era cerrar as sobrancelhas, inflar as bochechas...

Mas aí, subtamente eu me lembrava: tinha muito medo de que, se o vento passasse, ficasse carrancuda pra sempre. Tratava de estampar logo um sorriso na cara, ou uma expressão feliz qualquer. Imediatamente.

Esse gesto, pra mim, significa muito mais do que um sorriso forçado. Sem nem imaginar, por conta de uma superstição infantil, estava firmando um compromisso comigo mesma: era uma jura à felicidade mesmo diante de futuros e incertos desconfortos e obstáculos.

Afinal de contas, que é um ventinho gelado ante a força de uma tarde escaldante?